"Tudo começou pelo olhar. Foi nos meus olhos que o amor começou...Eu só tinha aquilo que meus olhos ofereciam: uma imagem. Imagens são criaturas de luz. Foi isto que meus olhos viram, foi isto que amei..." [Rubem Alves]

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Somos quem podemos ser

Terminei o dia aqui, para variar um pouco...
O dia hoje foi bem diferente, muitas coisas aconteceram...
Mas estou aqui...neste mundo da lua e da noite...
E dentro de mim, uma sinfonia de silêncio e de luz, fala mais alto ao coração...assim diz Lulu Santos...e eu confirmo aqui, atestando o meu silêncio...
E neste momento, aquela dose de tristeza indesejada, entra pela porta que eu mesma abri...
Amanhã é um novo dia...o sol vai brilhar e a lua adormecer...
E mais um dia se vai...lembrei...somos quem podemos ser...

Somos Quem Podemos Ser

Engenheiros do Hawaii Composição: Humberto Gessinger

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos
Às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração...

A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...

Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...

Um dia me disseram
Quem eram os donos
Da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum...

A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...

Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
Quem ocupa o trono
Tem culpa
Quem oculta o crime
Também
Quem duvida da vida
Tem culpa
Quem evita a dúvida
Também tem...

Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Lua e EU

Uma coisa é certa...é bom viver de lua...uma relação entre eu, ela e o sol...
Sentir o sol se aproximando e iluminando a lua, até o luar tomar conta de tudo...
Quando um certo alguém escreve...a (Meia lua se transforma...
A radiografia acima, é de como ela fica em um só dia...pura poesia...

A Lua
Renato Rocha

A lua, quando ela roda
é nova, crescente ou meia lua, é cheia
E quando ela roda minguante e meia,
depois é lua novamente,
Quando ela roda
é nova crescente ou meia lua, é cheia
E quando ela roda minguante e meia,
depois é lua nova
Mente quem diz que a lua é velha
Mente quem diz que a lua é velha,
mente quem diz
À medida que a Lua viaja ao redor da Terra ao longo do mês, ela passa por um ciclo de fases, durante o qual sua forma parece variar gradualmente. O ciclo completo dura aproximadamente 29,5 dias. Esse fenômeno é bem compreendido desde a Antiguidade. Acredita-se que o grego Anaxágoras (± 430 a.C.), já conhecia sua causa, e Aristóteles registrou a explicação correta do fenômeno: as fases da Lua resultam do fato de que ela não é um corpo luminoso, e sim um corpo iluminado pela luz do Sol.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

"Segredo"

Quem nunca teve um segredo...aquele bem íntimo...que só você sabe... O segredo do bem, aquele que só traz alegria para a alma...O segredo explícito do sentimento mais verdadeiro...tá na cara que é segredo...O segredo que acende a luz do coração e desliga o que está ao redor...E espera em silêncio...este é o segredo!Neste momento rolou Marisa e Erasmo...sabe que tudo que acontece aqui, no momento, merece um post...

Mais um na multidão

Erasmos Carlos, Marisa Monte

Guarde segredo que te quero
E conte só os seus pra mim
Faça de mim o seu brinquedo
Você é meu enredo, vem pra cá
Te quero, te espero
Não vai passar
O amor não falta estar

Você pensa em mim, eu penso em você
Eu tento dormir, você tenta esquecer
Longe do seu ninho, meu andar caminho
Deixo onde passo os meus pés no chão
Sou mais um na multidão

O mar de sol no leito do lar
Que nem um rio pode apagar
O amor é fogo e ferve queimando
Estou ferido agora e sigo te amando
Você pode acreditar

A mesma carta, o mesmo verbo
Em sonho só viver pra ti
Quem tem a chave do mistério
Não teme tanto o medo de amar
Me cego
Te enxergo
Não vai passar
O amor não tarda, está

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O tempo...

Quando um poeta se cala, outras mil palavras estão sendo elaboradas...e pela saudade... fico no aguardo quem sabe...de alguém que escreve e se calou...talvez.. por que não sabe o seu valor...

Mário de Miranda Quintana
foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Nasceu em Alegrete na noite de 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre, em 5 de maio de 1994. É considerado um dos maiores poetas brasileiros do século 20.

"Com o tempo você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar , não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama(ou acha que ama)e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"

Mário Quintana

domingo, 13 de janeiro de 2008

Fatias do tempo

Estava eu baixando algumas músicas da internet e acabei encontrando “Riacho doce”, de Danilo Caymmi, tema da minissérie da Globo de 1990. Não perdi nenhum capítulo e até hoje adoro esta música, me traz grandes lembraças, uma época muito boa...ai...o tempo...e lá vai o tempo
A TV Globo já fez grandes minisséries, as que eu acompanhei inteiras foram: Anos Dourados, Anos Rebeldes, A Casa das Sete Mulheres, Chiquinha Gonzaga, Os Maias, O Tempo e o Vento, Presença de Anita e uma das preferidas, Riacho doce...tem muito mais minisséries, mas estas foram as que me prenderam e me trazem fatias do tempo que nunca se desfazem...ai me dei conta que este ano a Globo não fez nenhuma minissérie, será contenção, ou o Big Brother é a melhor programação da Globo hoje em dia???


Riacho doce
Minissérie exibida pela Rede Globo nos dias de 31 de julho a 5 de outubro de 1990 com duração de 40 capítulos. Escrita por Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn e direção de Paulo Ubiratan, Reynaldo Boury e Luis Fernando Carvalho. Baseado no romance homônimo de José Lins do Rego.

Trama
Riacho Doce é um pequeno lugarejo litorâneo do Nordeste, é liderado por Vó Manuela, mulher mística e poderosa que exerce total domínio sobre o seu neto Nô. O rapaz tem o corpo “fechado” para o amor de qualquer mulher, e todas que dele se aproximam se suicidam ou acabam amaldiçoadas. No entanto a chegada do casal catarinense Eduarda e Carlos em Riacho Doce muda a vida de Nô.

O casal sulista vem para a pequena vila de pescadores porque Carlos quer resgatar a carga de um navio afundado, o que provoca suspeita entre os moradores do local. Eduarda, que passara por diversas crises existenciais, descobre em Riacho Doce uma nova forma de encarar a vida, sobretudo porque se apaixona por Nô. Desafiando os poderes e a autoridade da Vó Manuela, Nô se envolve com Eduarda.

O Bem E O Mal
Danilo Caymmi

Eu guardo em mim
dois corações
um que é do mar
um das paixões
um canto doce
um cheiro de tem...poral
eu guardo em mim
um deus, um louco, um santo
um bem e um mal
eu guardo em mim
tantas canções
de tanto mar
tantas manhãs
encanto doce
o cheiro de um vendaval
guardo em mim
o deus, o louco, o santo
o bem, o mal

sábado, 12 de janeiro de 2008

Pensamentos soltos...

"Um dia feliz
Às vezes é muito raro
Falar é complicado
Quero uma canção"...Jota Quest
É assim que começou o show do DVD do Jota Quest, no momento em que entrei no bar e fui encontrar uns amigos...eu estava completamente longe...pensativa...levitando nos pensamentos... nem a mesa em que eles estavam eu achei...tive que tocar o celular para localizá-los...demos algumas boas gargalhadas e em algum momento, mais tarde, na mesa...com o olhar voltado para o vídeo, porém distante ...sonhei acordada...e no telão tocou mais uma do Jota Quest, esta me fisgou e ganhou um post...

Que Eu Também Não Entendo

Jota Quest
Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os
olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso
ser...Até eu mesmo que você vai entender

Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas
coisas fúteis

Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo

Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Palavras e Silêncio

"O Poeta se calou...nenhuma letra ou palavra escrita...ou mesmo um suspiro...
Tão perto, que posso tocá-lo...mas os olhos se escondem pela paixão...
Penso que a vida é muito mais divertida, penso que hoje, fiz a minha descoberta...virei refém de mim mesma, de minha inércia...de minha euforia...tudo por admirar e amar demais".
E o estado de espírito encontrou Ivan Lins...

Depois dos temporais

Ivan Lins / Vitor Martins

Sempre viveram no mesmo barco
Foram farinha do mesmo saco
Da mesma marinha, da mesma rainha
Sob a mesma bandeira
Tremulando no mastro
E assim foram seguindo os astros
Cortaram as amarras e os nós
Deixando pra trás o porto e o cais
Berrando até perder a voz
Em busca do imenso,
Do silêncio mais intenso
Que está depois dos temporais

E assim foram sempre em frente
Fazendo amor pelos sete mares
Inchando a água de alga e peixe
Seguindo os ventos
As marés e as correntes
O caminho dos golfinhos
A trilha das baleias
E não havia arrecifes
Nem bancos de areia
Nem temores, nem mais dores
Não havia cansaço
Só havia, só havia azul e espaço

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Certas Coisas

Eu tinha 15 anos, quando eu ia todas as sextas-feiras e sozinha, até o bairro de Santana no bar ShopCenter.

Encontrava com uma amiga que morava perto do bar, ela tinha 18 anos...mas eu tinha bem mais juízo na cabeça que ela, apesar de ser meio doidinha também, pois eu ia a noite, de ônibus e descia na rua Cruzeiro do Sul, onde as drogas e a prostituição rolavam a solta...

Não tenho moral para falar dela, eramos duas malucas, eu, porque gostava de ir ver um conjunto que tocava Beatles e não tinha medo de nada... ela, porque gostava de namorar...me largava no bar e saía com os namorados até dar a hora de me buscar...lá pelas 3:30 da madruga...

Por conta disso, acabei ficando amiga de vários trintões da época, era estranho uma menina de 15 anos conviver no meio dos que tinham o dobro da idade, mas era muito divertido, eles cuidavam de mim.

Uma das milhares de vezes que baixou o juízado de menores no bar, "me danei", na tentativa de fug...ajudada pela galera mais velha...que sempre acontecia...fui pular a janela e dei de cara com um homem gigante, de terno cinza...ele era do juizado...ai pensei, FERROU! ...Mas a Denise, minha amiga, chegou dizendo que era minha irmã mais velha e que a mãe tava muito brava comigo...se desculpou pro homem e me pegou pelo braço e assim, saí muito bem do acontecido...

Foram várias e várias vezes...o juizado, as fulgas, os meninos que tocavam Beatles, os trintões que cuidavam de mim, as danças agarradinhas para esconder o rosto do juizado, as paquerinhas, o subir na privada do banheiro e fechar a porta para não ser vista, o pular a janela...e ouvir Lulu Santos que intercalava com os Beatles...Foi um período prá lá de bom!

Me veio na memória está história, por que ouvi no rádio...bendito rádio...a canção "Certas Coisas", que tocava muito nesta época e neste bar...e não sabia que depois de 25 anos, eu estaria aqui sentindo a mesma sensação com foco diferente, de estar amando como se eu tivesse 15 anos...


Certas Coisas
Lulu Santos / Nelson Motta

Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...

A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz,
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...


quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

"DÉJÀ VU"

Coisas acontecem o tempo todo, coisas que não sabemos explicar e independem da gente...elas simplesmente acontecem...normalmente são relacionadas a sensações que não controlamos, sensações estas, que parece termos vivido na real aquele momento ou a criatividade rola solta...ai é que pega na gente, mesmo quando são sensações que nos dão aconchego e bem estar...fui atrás e acabei me interessando pelo "Déjà vu"...

Déjà vu é uma expressão da língua francesa e língua frisia que significa já visto (literalmente). É uma reação psicológica, para por vezes tornar um local mais acolhedor, fazendo com que sejam transmitidas idéias de que já se teve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, etc.

É uma expressão também muito utilizada pela crítica artística, seja ela literária, cinematográfica, teatral ou musical, no sentido de que o objeto da crítica não trouxe nada de novo, nenhuma originalidade ao mundo artístico.

Não há nada de estranho em não lembrar de um livro que se leu ou de um filme a que se assistiu; estranho (e aqui entra-se no déjà vu) é sentir que a cena que parece familiar não deveria sê-lo. Tem-se a sensação esquisita de estar revivendo alguma experiência passada, sabendo que é materialmente impossível que ela tenha algum dia ocorrido. Mas, o que é mais intrigante nesta questão é o fato do indivíduo, poder nestas circunstâncias, experimentar esta estranha sensação de já ter vivenciado o que lhe ocorre, e além disso, também poder relatar (antes de uma observação) quais serão os acontecimentos seguintes que se manifestarão nesta sua experiência.

Tipos de déjà vu

Déjà vécu


Normalmente usado como 'já visto' ou 'já vivido.

Todos já tivemos alguma vez a experiência de uma sensação, que surge ocasionalmente, de que aquilo que dizemos ou fazemos já o fizemos ou dissemos anteriormente há muito tempo, ou de que já estivemos algures no passado rodeados das mesmas caras, objetos ou circunstâncias, ou de que sabemos perfeitamente o que se vai dizer em seguida como se de repente surgisse da nossa memória.

Quando a maioria das pessoas fala em déjà vu refere-se a situações de déjà vécu. Pesquisas revelaram que cerca de um terço de todas as pessoas tiveram experiências destas, mais frequentes e talvez com maior intensidade em pessoas dos 15 aos 25 anos. A experiência está geralmente associada a um evento muito banal, mas é tão forte que é relembrada por muitos anos após ocorrer.

Déjà vécu refere-se a uma ocorrência que envolve mais do que a mera visão, pelo que é incorreto classificá-lo como "déjà vu". A sensação é muito detalhada, o sentimento é de que tudo é exatamente como foi anteriormente, por isso, as teorias que advogam que a situação teria sido lida previamente ou vivida numa vida anterior são inválidas, uma vez que essas ocorrências nunca poderiam recriar a situação com exatidão seja devido à falta de sentido do envolvimento seja pela presença de um ambiente moderno.

Déjà senti

Esse fenômeno especifica algo "já sentido". Mas sem o mesmo sentido de déjà vécu, déjà senti é primeiramente ou igualmente exclusivo para um acontecimento mental, sem aspectos precognitivos, e raramente, permanece na memória da pessoa logo depois.

O Dr. John Hughlings Jackson recordou as palavras de um de seus pacientes que sofreu de epilepsia psicomotora num trabalho científico de 1989:

"O que prende a atenção é o que a prendeu anteriormente, e com efeito soa familiar, tendo sido esquecido por algum tempo, sendo agora recuperado com uma ligeira sensação de satisfação como se o tivessemos procurado. ... simultaneamente ou melhor logo de seguida estou perfeitamente consciente de que a recordação é ficticia e que não estou no meu estado normal. A recordação inicia-se sempre pela audição da voz de outra pessoa, ou pela verbalização dos meus pensamentos, ou por algo que estou a ler e que verbalizo mentalmente; penso que na fase anormal eu geralmente verbalizo algumas frases simples de reconhecimento como "sim - estou a ver", "claro - já me lembro", etc., mas um ou dois minutos depois não me consigo lembrar nem das palavras nem do pensamento verbalizado que estiveram na origem da recordação. Somente estou firmemente convicto que elas se parecem com o que senti anteriormente sob condições anormais similares".

Déjà visité

Essa sensação é menos comum e envolve um estranho conhecimento de um novo lugar. Quem passa por essa situação, pode conhecer tudo a sua volta em uma cidade que nunca tenha visitado antes. E ao mesmo tempo saber que isso não seria possível.

Sonhos, reencarnação e até uma "viagem fora do corpo" não estão excluídas da lista de possíveis explicações para esse fenômeno. Alguns acreditam que ler um informativo detalhado sobre um lugar pode causar este sentimento quando se visita esse local mais tarde. Dois exemplos famosos dessa situação foram descritos por Nathaniel Hawthorne em seu livro Our Old Home e por Sir Walter Scott em Guy mannering. Hawthorne reconheceu as ruínas de um castelo na Inglaterra e depois pôde verificar vestígios da sensação em uma peça escrita sobre o castelo por Alexander Pope, dois séculos atrás. C. G. Jung publicou um informativo sobre déjà visité em seu artigo no synchronicity em 1952.

Para diferenciar o dejà visité do dejà vécu, é importante identificar a causa da sensação. Déjà vécu é uma referência a ocorrências e processos temporais. Enquanto déjà visité tem mais ligações a dimensões geográficas e espaciais.


Jamais vu


Do francês para "nunca visto", a expressão significa explicitamente não recordar ver algo antes. A pessoa sabe que aconteceu antes, mas a experiência faz-se sentir estranha. Descrito frequentemente como o oposto do déjà vu, os jamais vu envolvem uma sensação de medo e a impressão de observador da situação pela primeira vez, apesar de, racionalmente, saber que estiveram na situação antes. Jamais vu é associado às vezes com determinados tipos de amnésia e de epilepsia. Um gracejo velho da internet classificou a este sentimento como o vujà dé presque vu: da língua francesa, significando "quase visto", mas não completamente, recordando algo. Frequentemente muito desorientador e distrativo, o presque vu conduz raramente a uma descoberta real. Frequentemente, alguém que experimente um presque vu dirá que está à beira de uma epifania. Presque vu é muitas vezes referido por pessoas que sofrem de epilepsia ou de outras perturbações cerebrais relacionadas com convulsões, tais como labilidade do lóbulo temporal.
Wiképidia


terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A LUA QUE EU TE DEI...


Em 4 de fevereiro de 2001, eu estava trabalhando, quando, por acaso, entrei na página do UOL e li a notícia do acidente de Hebert Vianna... comecei a chorar como se eu fosse uma amiga íntima dele, quando a gente é fã de alguém, de certa forma nos tornamos íntimos da pessoa, acho isso bom, é amor incondicional, não conhecemos face a face, mas amamos nossos ídolos...ou pessoas que admiramos. Foi um dia muito difícil aquele...ninguém sabia se ele iria sair com vida daqueles dias...ai chorei...quase todos os dias, até saber que ele estava fora de perigo...e agradeci como se estivesse agradecendo pela minha própria vida...nunca vi um show ao vivo, adoraria...hoje, quando ouço "Os paralamas" sinto uma felicidade imensa de Herbert estar bem. Vindo do trabalho ouvi a música, "A lua que eu te dei"...e como aqui sou (Meia lua, lembrei de como amar é perfeito...sem pedir nada em troca...então o post sobre ele se fez aqui.

Herbert nasceu em João Pessoa, mas devido à vida militar de seu pai, mudou-se ainda criança para Brasília, onde conheceu Bi Ribeiro. Ao se mudarem para o Rio fundaram os Paralamas (mas alguns consideram os Paralamas parte da "turma de Brasília", como Capital Inicial e Legião Urbana) com o amigo Vital Dias na bateria.

Após substituírem Vital por João Barone, Herbert compôs a música "Vital e Sua Moto", em homenagem ao amigo, a qual se tornou o primeiro sucesso dos Paralamas e que renderia o contrato com a EMI.

Depois de 10 anos de sucesso da banda, Herbert gravou o disco-solo Ê Batumarê (1992). Mais dois seriam gravados, Santorini Blues (1997) e O Som do Sim (2000), cheio de participações como Cássia Eller, Nana Caymmi, Sandra de Sá e Marcos Valle.

Herbert namorou por anos Paula Toller, do Kid Abelha, e posteriormente casou com a inglesa Lucy Needham, com quem teve os filhos Luca, Hope e Phoebe.

Herbert desde cedo gostou de pilotar helicópteros e ultraleves. Em 2001, Herbert passou pelo momento mais crítico de sua vida. No dia 4 de fevereiro, sofreu um acidente aéreo em Mangaratiba, RJ, quando o ultraleve que pilotava caiu no mar, na baía de Angra dos Reis. No acidente, Lucy morreu e Herbert ficou internado durante 44 dias, parte deles em estado de coma. O músico ficou paraplégico e perdeu parte da memória depois do acidente, porém, em um processo de recuperação gradual, retomou sua carreira, voltando aos palcos, e já tendo gravado três álbuns após o acidente: Longo Caminho (2002, preparado antes do acidente), Uns Dias ao Vivo (2004, ao vivo) e Hoje (2005, primeiro de inéditas).

A Lua Que Eu Te Dei
Herbert Vianna
Cantada por Ivete Sangalo

Posso te falar do sonho
Das flores
De como a cidade mudou

Posso te falar do medo
Do meu desejo
Do meu amor

Posso falar da tarde que cai
E aos poucos deixar ver
No céu, a lua
Que um dia eu te dei

Gosto de fechar os olhos
Fugir do medo
De me perder
Posso até perder a hora
Mas sei que já passou das seis

Sei que não há no mundo
Quem possa dizer
Que não é tua
A lua que te eu dei

Pra brilhar por onde você for
Durma bem
Me queira bem meu amor

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Moulin rouge - Amor em vermelho

Como eu já havia dito em posts anteriores, quando gosto de algo acabo repetindo a dose...uma...duas...três vezes...e hoje, passou pela milésima vez, “Moulin Rouge”. Como gostei tanto deste filme, é lógico que eu não poderia deixar de assistir. É um filme apaixonante! Perfeito! Junta em um único filme música da melhor qualidade, romance, drama e comédia. Nicole Kidman e Ewan McGregor dão um show a parte. Merece um post aqui!

Moulin rouge - Amor em vermelho, é um filme australiano e estadunidense de 2001, do gênero romance musical, dirigido por Baz Luhrmann.

Sinopse
A história se passa em 1900 e gira em torno de um jovem poeta, Christian, que desafia a autoridade do pai ao se mudar para Montmartre, em Paris, considerado um lugar amoral, boêmio e onde todos são viciados em absinto. Lá, ele é acolhido por Toulouse-Lautrec e seus amigos, cujas vidas são centradas em Moulin Rouge, um salão de dança, um clube noturno e um bordel (mas cheio de glamour) de sexo, drogas, eletricidade e - o que é ainda mais chocante - de cancan. É então que Christian se apaixona pela mais bela cortesã do Moulin Rouge, Satine.

Your Song
Elton John

It's a little bit funny, this feeling inside
I'm not one of those, who can easily hide
I don't have much money, but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live.

If I was a sculptor, but then again no,
Or a man who makes potions in a travelling show
I know it's not much, but it's the best I can do
My gift is my song and this one's for you.

And you can tell everybody, this is your song
It may be quite simple but now that it's done,
I hope you don't mind, I hope you don't mind
That I put down in words
How wonderful life is while you're in the world.

I sat on the roof and kicked off the moss
Well a few of the verses, well they've got me quite cross
But the sun's been quite kind while I wrote this song,
It's for people like you, that keep it turned on.

So excuse me forgetting, but these things I do
You see I've forgotten, if they're green or they're blue
Anyway, the thing is, what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen.

And you can tell everybody, this is your song
It may be quite simple but now that it's done,
I hope you don't mind, I hope you don't mind
That I put down in words
How wonderful life is while you're in the world.


Sua canção
(tradução)

É um tanto engraçado, este sentimento aqui dentro
Eu não sou um daqueles, que conseguem facilmente esconder
Eu não tenho muito dinheiro, mas se eu por acaso tivesse
Eu compraria uma grande casa onde poderíamos morar.

Se eu fosse um escultor, mas também não sou,
Ou um mago que pudesse fazer poções
Eu sei que isso não é muito, mas é o melhor que posso fazer
Meu presente é minha música é esta é pra você.

E você pode dizer para todos que esta é a sua canção
Ela pode ser bem simples mas agora está feita,
Espero que você não se importe, espero que não se importe
Que eu exprima em palavras
Quão maravilhosa é a vida, enquanto você está em meu mundo.

Eu me sento no telhado, limpo os velhos pensamentos
Alguns destes versos, deixam-me muito nervoso
Mas o sol tem sido agradável, enquanto escrevo esta canção
É por pessoas como você que continuo a fazê-la.

Então perdoe meu esquecimento pois faço destas coisas
Não lembro se eles são verdes ou azuis
De qualquer forma, o que realmente importa
É que são seus os olhos mais doces que eu já vi.

A trilha sonora (Moulin rouge) é maravilhosa:

* 1. Nature Boy
* 2. Lady Marmalade
* 3. Because We Can
* 4. Sparkling Diamonds
* 5. Rhythm of the Night
* 6. Your Song
* 7. Children of the Revolution
* 8. One Day I'll Fly Away
* 9. Diamonds Dogs
* 10. Elephant Love Medley
* 11. Come What May
* 12. El tango de Roxanne
* 13. Complainte de la butte
* 14. Hindi Sad Diamonds
* 15. Nature Boy
* 16. Your Song (instrumental)
* 17. Sparkling Diamonds (original film version)
* 18. One Day I`ll Fly Away (Tony Phillips Remix)
* 19. The Pitch (Spectacular Spectacular) (original film version)
* 20. Come What May (original film version)
* 21. Like a Virgin (original film version)
* 22. Meet Me in the Red Room (original film version)
* 23. Your Song (instrumental) From The "after The Storm" Scene -
* 24. The Show Must Go On (original Film Version)
* 25. Ascension / Nature Boy - From The "Death and Ascension"
* 26. Bolero (original film version)
* 27. In The Name Of Love

domingo, 6 de janeiro de 2008

Um olhar através do tempo

Sábado pela manhã, passei em frente ao museu do Ipiranga, eu estava de carro, normalmente vou a pé para fazer caminhada, mas de dentro do carro, tive uma visão diferente, voltei aos meus 6 ou 7 anos de idade, eu pude ver e sentir minha mãe, minhas irmãs e eu, brincando entre as árvores que se mantém iguais até hoje...acho que foi a luz e o cheiro daquele exato momento...
Sempre que dava, minha mãe levava a gente, eu adora escorregar na lateral da escadaria do museu e até hoje, as crianças brincam assim...
Tive, por um momento apenas, mas tive...a sorte de estarmos todas juntas novamente...e uma alegria tomou conta de mim...

Felicidade
Lupicinio Rodrigues
Felicidade foi-se embora

E a saudade no meu peito ainda mora

E é por isso que eu gosto lá de fora

Porque sei que a falsidade não vigora.

A minha casa fica lá de trás do mundo

Mas eu vou em um segundo

Quando eu começo a cantar...

Meu pensamento parece uma coisa a toa

Mas como é que a gente voa

Quando começa a pensar.

sábado, 5 de janeiro de 2008

“Pecados Íntimos” (filme)

Estamos sempre tentando preencher os espaços vazios da alma, procurando...procurando sempre...a procura... do amor... de alguém, cada um na sua maneira, mas seja qual for, o vazio está lá para ser preenchido, mesmo quando já amamos alguém...a procura sem fim.
O filme "Pecados Íntimos", é maravilhoso, a reflexão que fica nos pega lá dentro, não tem como não mexer com a gente, vale a pena assistir.

Por: Fabiane Secches

“Pecados Íntimos”, do talentoso Todd Field (de “Entre Quatro Paredes”, 2001), vai aos cinemas para incomodar. Mas, claro, quando se trata do questionador Field, este incômodo vem na melhor acepção da palavra.

O filme recebeu diversas indicações a diversas premiações: não apenas teve o reconhecimento do Globo de Ouro e BAFTA com indicações importantes, mas também do Sindicato das Mulheres Jornalistas da América, da Associação de Críticos de Nova York, de São Francisco e de Washington, assim como da Associação de Críticos Ingleses, além do "Satellite Awards" (premiação da imprensa internacional), entre muitos outros.

À premiação da Academia que se aproxima, o filme chega com três indicações ao Oscar: Melhor Atriz (Kate Winslet), Melhor Ator Coadjuvante (Jackie Earle Haley) e Melhor Roteiro Adaptado (de Todd Field e Tom Perrota, baseado em romance do próprio Perrota).

Embora possa se dizer que o filme escapa do formato cinematográfico tradicional, também é verdade que não é tão revolucionário assim em sua fórmula narrativa: “Pecados Íntimos” tem um inconfundível ar do premiado “Beleza Americana” (1999), do diretor inglês Sam Mendes.

Também há aqui o narrador onisciente em off, trazendo comentários sofisticados sobre os acontecimentos. E há a mesma ironia, o refinado senso de humor (negro), que paira sobre a crítica de costumes à hipocrisia da sociedade norte-americana, representada no filme por uma pacata e arborizada cidade de interior.

Então, ainda que o foco desta vez seja outro, a sua estética inegavelmente tem muito de “Beleza Americana”, e a referência de Field é mais do que apropriada para a história que o diretor deseja nos contar.

“Pecados Íntimos” originalmente se chama “Little Children”. A infeliz tradução para português faz perder uma grande pista sobre o que o filme é. Não, “Little Children” não é sobre os pecados íntimos, é sobre pequenas crianças. Pequenas grandes crianças, aliás.

O filme é essencialmente uma estória sobre pais e filhos. E se de novo poderíamos mencionar Sam Mendes aqui, já que em outro filme - “Estrada para Perdição” (2002) - passou também por este tema, é certo que, desta vez, a comparação (tanto de conteúdo como de forma) seria injusta. Field opta por um caminho completamente diverso, e ainda vai além.

Embora o universo infantil tradicional faça parte de toda narrativa, com playgrounds, brinquedos espalhados, carrinhos sendo empurrados, bebês embalados no colo e constantes referências às crianças de fato, não é sobre essas crianças que o filme deseja falar. Não. “Little Children” é sobre essas crianças grandes que conhecemos bem: os adultos da atual geração.

A sinopse mais detalhada ajuda a compreender: uma das personagens centrais, Sarah Pierce, é belamente interpretada pela inglesa Kate Winslet (do ótimo “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, 2004). Sarah é uma jovem adulta, casada com Richard (Gregg Edelman) e mãe de Lucy, uma linda e geniosa garotinha de três anos. Solitária desde que optou por deixar o trabalho para cuidar da filha, vive um casamento morno. Sarah até tenta se encaixar na vida de uma dona de casa comum, embora não tenha talento para isso. Inteligente e questionadora, sente-se um peixe fora d'água quando vai ao playground da vizinhança com Lucy e tem que conviver com outras mães tradicionais.

O que parece que vai ser apenas uma crítica de costumes ao casamento e à instituição familiar, depois transcende, o que é uma agradável surpresa para o espectador.

Pois bem. Freqüentam este mesmo playground, entre as mães usuais, o pai coruja Brad Adamson (Patrick Wilson, de “O Fantasma da Ópera”, 2004) com seu adorável filho Aaron, o que perturba as mulheres em volta, que suspiram por ele.

Brad é casado com Kathy (a belíssima Jennifer Connelly, de “Uma Mente Brilhante”, 2001) e é ela que ocupa o papel tradicional do homem da casa: enquanto Brad passa o dia solitário brincando com o filho em casa, no playground ou na piscina pública, Kathy passa o dia trabalhando como documentarista e sustenta toda família.

Brad e Sarah acabam por se aproximar e descobrir que entre eles há esse denominador comum, e depois de atraídos um pelo outro, usam a paternidade/maternidade como desculpa para encontros cada vez mais freqüentes.

Nesta mesma tranqüila cidade onde vivem, também está o perturbado Ronnie J. McGorvey (interpretado com talento por Jackie Earle Haley), um ex-prisioneiro que assediava crianças, exibindo-se para elas.

Ronnie vive solitário ao lado de May, sua mãe protetora (Phyllis Somerville), e é naturalmente temido por toda vizinhança. Logo no começo do filme, quando Ronnie é solto e uma reportagem a respeito é realizada na região, uma das mães aflitas diz que tê-lo morando em um local com tantas crianças é como ter um alcoólatra trabalhando em um bar: isso não acabaria bem.

Ronnie então é perseguido por todos, especialmente pelo ex-policial Larry Hedges (Noah Emmerich), o maior inconformado. Depois de ter sido afastado da Polícia após um tiroteio em um shopping que acabou mal, Larry está obcecado pela presença de Ronnie e quer garantir que um homem perigoso como ele jamais tenha paz o suficiente para abordar as crianças do local.

Pronto, o cenário da confusão está armado e “Pecados Íntimos” começa a entrelaçar as histórias e a aprofundar reflexões, com direito a citações de Madame Bovary e tudo o mais. Depois de descobrir que seu marido está envolvido com pornografia na internet, e não muito entusiasmada com seu casamento, Sarah acaba se envolvendo com Brad. Ele, por sua vez, está cansado de ser submisso à esposa e parece gostar de se sentir um homem novamente, e não apenas um pai.

Até aí, tudo bem: conseguimos compreender seus sentimentos e até nos solidarizamos com eles. No entanto, à medida que Field penetra nos relacionamentos, percebemos que não, não é uma bandeira a favor da rebeldia aos costumes, é mais que isso. É um filme sobre a dificuldade de aceitar a vida adulta com todas as suas ocupações e preocupações.

Percebemos que Sarah e Brad não conseguem se conformar com seus novos papéis, mas são completamente resignados quanto a buscar, efetivamente, outros papéis. O caso extraconjugal é o máximo de ousadia que se permitem, e achando que esta atitude desvela não somente o apetite sexual, mas, sobretudo, o apetite de mudança, nós nos surpreendemos, enfim, ao perceber que não passa de uma fuga quase adolescente - e que jamais poderá ir a lugar algum, a menos que eles se tornem, de uma vez, adultos.

Mas não pensem vocês que a mensagem é mastigada para o espectador. Não, não. Field constrói um filme aberto, que permite várias leituras, embora nos conduza todo o tempo através das entrelinhas para esta interpretação final: as pequenas crianças do título não são Lucy e Aaron, são Sarah e Brad, e mesmo Richard e Kathy.

E as pequenas crianças do filme não estão correndo nos parques, ou sendo embaladas nos balanços, ou brincando na piscina... as pequenas crianças do título estão aprisionadas em seus corpos de adultos, como Ronnie, e, talvez por esta razão, ele não consiga se sentir sexualmente atraído por pessoas de sua idade - e aí esteja a verdadeira causa do seu comportamento deturpado.

Admito: esta é a minha livre interpretação sobre Ronnie, e pode ser psicanalítica demais, mas faz todo o sentido se juntarmos as peças do quebra-cabeça que Field nos oferece, uma a uma. Desde o começo do filme, com a tomada da casa de May e Ronnie, com as estátuas de crianças enfeitando a sala, e os muitos relógios que se somam a elas. É o tempo correndo, a vida adulta chamando, mas o desejo da infância que aprisiona. Desejo de proteção, de zelo, de descompromisso e pureza.

Ronnie, do alto de seus cinqüenta anos, nunca lavou uma louça, diz May temendo pelo futuro de seu filho depois que ela morrer. Brad, apesar de ter se formado advogado, nunca é aprovado no exame da ordem e à noite, quando sai para estudar na biblioteca municipal, na verdade nunca chega a entrar. Fica apenas observando os adolescentes fazendo manobras com seus skates. Sarah está decepcionada com o marido, mas nunca busca uma conversa madura com ele e, apesar de fisicamente presente para Lucy, está completamente distante da filha, do seu papel de mãe.

Então Sarah, Brad, Kathy, Richard, Ronnie e Larry são as pequenas crianças. Nunca enfrentam seus problemas reais, sempre buscam alternativas infantis para escapar deles na ilusão de que estão sendo revolucionários. Quando Sarah chora e é consolada pela filha de três anos com um maduro “está tudo bem, mamãe”, os papéis completamente invertidos, a mensagem para mim já estava clara.

O clímax do filme acontece como um despertar. Primeiro, temos a sensação que podemos caminhar para um final trágico, como na referência de Madame Bovary. Então tememos pela vida de Sarah, de Brad e de Lucy. Mas, sem estragar o final do filme, posso assegurar: Field não estava interessado em chocar, ele estava interessado em incomodar. E é essa diferença que na maioria das vezes separa um mau de um bom filme.

Se “Pecados Íntimos” não é impecável, até suas imperfeições parecem ter sido premeditadas, de certo modo, para que o filme não fosse o que o filme não é. Para que a mensagem, ao final, não fosse tão amarradinha e óbvia. Para que o espectador se perdesse algumas vezes dentro da estória, e das subtramas da estória, e tenha a sensação de ter divagado mais do que o preciso, em uma sessão de mais de duas horas no cinema.

Mas sabe de uma coisa? A vida não é exatamente assim? Quando achamos que estamos na direção certa da compreensão e do auto-conhecimento, nós não aprendemos que ainda falta muito para se chegar lá? Em “Pecados Íntimos” acompanhamos a hesitação dos personagens e concordamos com eles algumas vezes, para depois, com uma visão mais ampla da estória, enfim discordar. Percorremos junto com os personagens a evolução dos seus dilemas até chegarmos a máxima que o resume: crescer dá trabalho.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Um Poeta...Antonio Gamoneda

Antonio Gamoneda (n. Oviedo, 30 de Maio de 1931) é um crítico de arte e poeta espanhol vencedor do Prémio Cervantes de 2006.

Reside em León desde 1934. Aí dirigiu a Fundación Sierra-Pambley, vinculada inicialmente à Institución Libre de Enseñanza.

É doutor honoris causa pela Universidad de León.

Algumas das obras deste poeta foram traduzidas para português, como Libro del frío, Arden las pérdidas e Descripción de la mentira. Participou, com diversos textos poéticos, numa Selecta de Poetas de Léon, Tengo Algo de Arbol / Tenho Qualquer Coisa de Árvore, de edição bilingue (castelhano - português).

Participou, com leituras de poemas e conferências, em cursos e encontros de instituições de Espanha, Europa, América, África e Ásia.

Su obra, de una fuerza excepcional, ha sido reconocida tardíamente como una de las grandes voces de la poesía española actual, lo que ha culminado con la concesión casi simultánea de dos de los más altos galardones; el Premio Cervantes y el Premio Reina Sofía a la poesía iberoamericana.
wikipédia

AMOR
Mi manera de amarte es sencilla:
te aprieto a mí
como si hubiera un poco de justicia en mi corazón
y yo te la pudiese dar con el cuerpo.

Cuando revuelvo tus cabellos
algo hermoso se forma entre mis manos.

Y casi no sé más. Yo sólo aspiro
a estar contigo en paz y a estar en paz
con un deber desconocido
que a veces pesa también en mi corazón.

***********************************************

Meu jeito de te amar é simples:
te aperto contra mim
como se houvesse um pouco de justiça em meu coração
e pudesse transmitir com meu corpo.

Quando revolvo teus cabelos
algo maravilhoso se forma entre minhas mãos

E quase nada mais sei. Apenas aspiro
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes pesa também em meu coração.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

SHAKESPEARE

William Shakespeare (23 de abril de 1564 - 23 de abril de 1616). Escritor britânico. Considerado poeta nacional inglês e maior dramaturgo da literatura universal.

Principais obras

A Comédia dos Erros (1592-1593)
  • "A mancha do adultério em mim se alastra. Trago no sangue o crime da luxúria, pois se ambos somos um, e prevaricas, na carne trago todo o teu veneno, por teu contágio me tornando impura".
  • "As queixas venenosas de uma esposa ciumenta são de efeito mais nocivo do que dentada de cachorro louco".
  • "Sem ser provada, a paciência dura".
  • "As mais belas jóias, sem defeito, com o uso o encanto perdem".

Macbeth (1605-1606)

  • "Tens medo de nos atos (...) mostrar-te igual ao que és nos teus anelos?"

O Rei Lear (1605-1606)

  • "A cólera também tem privilégios".

Péricles (1608-1609)

  • "É lícito aspirar ao que não se pode alcançar".

Antônio e Cleópatra (1606-1607)

  • "Pobre é o amor que pode ser contado".
  • "Entre dois beijos abrimos mão de reinos e províncias".

Noite de Reis (1599-1600)

  • "Os amigos me adulam e me fazem de asno, mas meus inimigos me dizem abertamente que o sou, de forma que com os inimigos (...) aprendo a me conhecer e com os amigos me sinto prejudicado".

A Tragédia do Rei Ricardo II (1595-1596)

  • "Nada me deixa tão feliz quanto ter um coração que não se esquece de seus amigos".

Trabalhos de Amor Perdidos (1594-1595)

  • "Chorar velhos amigos que perdemos não é tão proveitoso e saudável como nos alegrarmos pelas novas aquisições de amigos".

Henrique VI (1590-1591)

  • "As águas correm mansamente onde o leito é mais profundo".

As Alegres Comadres de Windsor (1600-1601)

  • "Devemos aceitar o que é impossível deixar de acontecer".

Conto do Inverno (1610-1611)

  • "Se os maridos das esposas infiéis desesperassem, enforcar-se-ia a décima parte da humanidade".

Coriolano (1607-1608)

  • "A adversidade põe à prova os espíritos".

Sonho de uma Noite de Verão (1595-1596)

  • "O amor não vê com os olhos, vê com a mente; por isso é alado, é cego e tão potente".

Como Gostais (1599-1600)

  • "Se não te lembram as menores tolices que o amor te levou a fazer, é que jamais amaste".

O Mercador de Veneza (1596-1597)

  • "Podeis crer-me, senhor: caso eu tivesse tanta carga no mar, a maior parte de minhas afeições navegaria com minhas esperanças. A toda hora folhinhas arrancara de erva, para ver de onde sopra o vento; debruçado nos mapas, sempre, procurara portos, embarcadoiros, rotas, sendo certo que me deixara louco tudo quanto me fizesse apreensivo pela sorte do meu carregamento."
  • "O amor é cego, e os namorados nunca vêem as tolices que praticam".

Tróilo e Cressida (1601-1602)

  • "Nisto (...) é que consiste a monstruosidade do amor: em ser infinita a vontade e limitada a execução; em serem ilimitados os desejos, e o ato, escravo do limite".

Cimbelino (1609-1610)

  • "Os motivos do amor não têm motivo".
(Wikiquote)