"Tudo começou pelo olhar. Foi nos meus olhos que o amor começou...Eu só tinha aquilo que meus olhos ofereciam: uma imagem. Imagens são criaturas de luz. Foi isto que meus olhos viram, foi isto que amei..." [Rubem Alves]
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Alice no Pais das Maravilhas

Toda criança tem o direito de ser criança... e brincar...e brincar...e brincar...sempre!
Todo dia é dia das crianças!
"...Minhas flores,
quanta coisa eu não diria as flores,
contaria histórias para as flores,
seu vivesse nesse munnnnnnndo só meu..."
E quem ilustra o blog hoje é a minha adorável  "Alice no Pais das Maravilhas"...


Que desenho animado eu seria? "Alice" e contaria histórias para as flores, seu vivesse nesse munnnnnnndo só meu...

Alice no Pais das Maravilhas - No Meu Mundo





domingo, 10 de janeiro de 2010

A LETRA "P"

[Recebi este texto de pessoas queridas, achei GENIAL!]

ESCRITO SOMENTE COM PALAVRAS INICIADAS COM A LETRA "P":


"Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos.

Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.

Posteriormente, partiu para Pirapora.

Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres.

Porém, pouco praticou, pois Padre Pedro pediu para pintar panelas porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.

Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.

Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los.

Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo pico, pois pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois,pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.

Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precatar-se.

Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundo pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.

Povo previdente! Pensava Pedro Paulo. Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.

Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante políticos,populares, pobres, pedintes.

* Paris! Paris!Paris! - proferiu Pedro Paulo - parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.

Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.

Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai.

Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal.

Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu:

* Pediste permissão para praticar pintura,porém, praticando pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias?

* Papai - proferiu Pedro Paulo - pinto porque permitiste, porém preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando.

Primeiro, pegaram peixes pequenos,porém,passando pouco prazo, pescaram pacus,piaparas,pirarucus.

Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito.

Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.

Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios.

Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando...". Permita-me, pois,pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar...

domingo, 19 de outubro de 2008

Obra prima!

Adoro os textos de Marina Colasanti (escritora e jornalista)...ela escreve de forma descritiva e profunda (verdadeiras obras primas), tenho grande admiração por ela...
Neste conto, "A Moça Tecelã", Marina, descreve de uma forma simples, delicada, eficiente e objetiva, um conto de fadas que narra o dia-a-dia de uma moça que tece.
Para quem gosta de suas obras como eu... o post de hoje, vai para um (brilhante) texto... desta grande escritora.














A Moça Tecelã

[Marina Colasanti *]

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa
nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado.
Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos,
quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs
cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela
primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar.
Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pé desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

* COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento. 6. ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1982.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

SOLIDÃO










O por do sol alaranjado lhe confortava no caminho longo pelas terras gramadas...
De muito longe... ele observava ela andando...seu coração dilacerado...
Ela sentia frio, solidão e o desprezo por si mesma...já não se conhecia mais...
Que diabos fazia ela só naquela imensidão...
Seria um mau entendido?
Nada mais era como antes...ela parou...olhou para o infinito e caiu de joelhos no gramado molhado que anunciava a noite chegando...seus ombros pesaram fazendo assim, que a sua cabeça erguer-se para o céu...a quanto tempo ela não via o céu...lágrimas caíram pela sua face pálida...
Nesse momento, ele teve o impulso de correr até ela e levantá-la...mas exitou por medo...
Um vento forte jogava seus cabelos para os lados...ela colocou uma de suas mãos no bolso do vestido e tirou uma tesoura...com a outra mão segurou o cabelo e o cortou rente a nuca...uma grande mecha do cabelo caiu de sua mão junto com a tesoura...
Ela concluiu seu sofrimento caindo sobre a grama gelada...
Então... ele correu...correu desesperadamente até ela...
Ouviu o seu último suspiro...
E um grito se fez no infinito...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Sentimentalidades

Teve saudades, teve medo, sempre foi muito segura, mas teve medo...
Queria lhe escrever e revelar a sua verdade... mesmo que fosse só para aliviar o seu silêncio...
Mas o medo, medo, medo...
O medo de se deixar levar pelo seus olhos...lindos olhos...dominavam o seu sentir...tudo o que existia nela...
Sua pele branca lhe fascinava e quando ele tocava sua cabeça era como se tocasse a dela...
Se perguntava como era possível algo assim...mas acontecia sem que ela esperasse...
Então o medo...e a saudade...o medo....e a saudade....
Não aguentava mais esta saudade e pegou o seu retrato, era mais forte que ela...
Precisava olhá-lo!
E nessa descoberta, palavras doces lhe invadiam a alma...como se ela tivesse tido um momento único com ele...
Era Arnaldo Antunes recitando versos ao som de Marisa Monte..."Amor I Love You"


"Tinha suspirado... tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido.
Sentia um acréscimo de estima por si mesma,
E parecia-lhe que entrava enfim
Numa existência superiormente interessante
Onde cada hora tinha o seu encanto diferente
Cada passo conduzia a um êxtase
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações"

AMOR I LOVE YOU - Marisa Monte

domingo, 22 de junho de 2008

O ESPELHO

Ela se levantou e caminhou até o espelho grande na parede...
Olhou bem dentro dos seus olhos e lá ficou...minutos antes, havia lido a carta que ele deixou sobre a mesa perto da porta...
Seus olhos abertos e petrificados ficaram olhando sua imagem.
Os pensamentos não se organizavam, sentia frio e o que a mantinha ali em pé, era o sol do inverno que tinha acabado de chegar e lhe tocava a face...
E assim ficou por horas...até que começou a lembrar letra por letra das palavras do seu amante... o papel da carta estava completamente borrado com as suas lágrimas...as letras se misturavam...ela suspirava e se consumia...
Ele havia explicado tudo, contado toda a verdade... o verdadeiro motivo que os separava tão bruscamente um do outro...sua partida...
Um amor que ela jamais tinha experimentado... se reprovava por não ter lhe dito a verdade sobre seus sentimentos...
Nada fazia mais sentido...apenas aquele olhar que paralisava sua face...
O sol foi partindo de seu rosto, o frio entrava pela sua pele congelando sua alma...ainda, em frente ao espelho que tinha lhe prendido por todo o dia...começou a respirar curto e rápido como quando se quer chorar...
Por um momento, fechou os olhos...escutou o vento arrastando as folhas das árvores...ergueu uma de suas mãos, tocou seus lábios secos e imobilizados...virou lentamente a cabeça para a janela... abriu os olhos...entre as folhas caindo e a noite surgindo, viu algo se movendo em sua direção...
Com muito esforço caminhou até a porta, colocou um casaco velho e amassado que estava pendurado ao lado...abriu a porta e fixou os olhos naquele ponto vindo ao seu encontro...
Era ele, vindo com um ar de quem havia caminhado por horas para chegar até alí...rosto pálido, nariz vermelho e o olhar apaixonado...parou a uns trinta metros dela...
Ela pode ver nos seus olhos a dor de amor que consumia não só a ela...
Sorriu...caminhou até ele...fechou seus olhos e ergueu a cabeça para o céu agradecendo...
Ele, tomou suas mãos até seus lábios e as beijou devotamente...
E se tocaram no olhar...
*-*

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Esse seu olhar...

Ela sente que é observada, por olhos que lhe perseguem já faz algum tempo.
Mas quando olha, os olhos dele se escondem...
Então, ela fica imaginando o que passa por trás daquele olhar...e sabe que ele imagina também...
Olhos de menino com postura de homem, respira fundo seduzida por ele, pelo seu jeito...
Silenciosa, sente aquele olhar passar pela sua nuca novamente... pisca os olhos e se distrai por alguns instantes, ela olha e não entende, ele se esconde, então ela percebe...e assim os dias vão passando...
O medo da aproximação é evidente, ela foge e quando fica perto dele, mau consegue respirar...como uma criança envergonhada...sente medo...foge do controle dela...
Um estranho, completamente conhecido por ela...
Admiração? Sim, o admira sem que ele saiba e talvez por isso sente seus olhares...
Ela sabe que seria um alvo fácil de preconceito...já foi atingida pelo veneno alheio... (ela não suportaria!)
Sua vida é confusa e disfarça seus sentimentos...que são só seus.
A dúvida é o preço do que ela sente...
*-*

quarta-feira, 26 de março de 2008

Co_lo_rin_do!

Vida dura esta da cidade grande...muita correria...o tempo, pouco tempo para muita coisa.
Para ela não seria diferente, mesmo adorando o que faz, o problema é que as coisas já não faziam muito sentido para o que sentia...
Se colocou a pensar...estava em busca de valores mais profundos e dentro do sufoco do dia-a-dia, não estava mais conseguindo atingir este seu objetivo...as coisas...as pessoas...lhe pareciam muito superficiais e a deixavam triste.
Tomou uma atitude que a tempos não tomava, inesperada, deixando todo o resto para trás...pegou a mochila e tomou um rumo estrada a fora...iria dar mais colorido para a sua vida...
Levou duas horas e quinze minutos para sair da cidade grande, isso significou...muito transito, muito sol, muito calor e muita poluição...até que conseguiu pegar a estrada, ela não sabia o que viria pela frente, mas estava determinada a dar mais cores para aqueles dias...
No primeiro momento, olhou a paisagem que se apresentava completamente verde...depois foi percebendo os tons de verdes diferentes...a medida que avançava mais na estrada, iam aparecendo tons de amarelos, brancos e azuis...quando fez uma curva bem acentuada, conseguiu visualizar uma plantação de girasois...simplesmente linda...estava se sentindo em uma tela de Van Gogh como no filme sonhos de Akira Kurosawa, era a pintura mais realista que já tinha visto...e se imaginou correndo entre os girasois levando uma tela de baixo do braço para ser colorida...
Então prosseguiu...
No rádio do carro tocava Elton John, que lhe fazia compania e ajudava ela ilustrar aqueles momentos...
Havia muitas nuvens se formando no céu, estavam sendo generosas com ela cobrindo parcialmente o sol que fervia sobre a pista...mirando bem a diante, estas nuvens se transformavam em vários tipos de bichos, alguns de bocão bem abertos, pena que logo se diluíam...neste mesmo momento, observou uma revoada de pássaros bem no meio da estrada e mais uma vez sua imaginação a levou para bem longe...lá estava ela voando junto com os pássaros...o mais alto que podia...mas gotas de chuvas a trouxeram para o chão... e sem exitar, parou o carro no acostamento, tirou os sapatos e as meias, ergueu as barras da calça e pisou na grama gelada que lhe refrescava os pés...caminhou um pouco e parou...ergueu a cabeça...sentiu ser acariciada pelas gotas da chuva e pelo sol que também estava ali...ficou olhando o céu azul entre as nuvens que pareciam algodão...sorriu!
Depois, olhou para frente e lá longe, do outro lado da estrada, viu uma casinha branca com janelas e porta azuis, completamente isolada no meio de tanto verde e em segundos sua imaginação a levou para lá...desta vez, levou pincéis e cavalete para colocar a sua tela e começar a pintar...se viu sentada dentro da casa com as janelas e porta abertas, a luz do dia ainda alcançava seu rosto e ela pode desenhar sua visão...grandes olhos negros...
Retomando a realidade, agradeceu aquele momento tão especial...e prosseguiu colocando a tela já iniciada no banco do passageiro...
Em cada cidadezinha que passava, as cores iam tomando tudo e todos...o sorriso, a simplicidade, os gestos das pessoas...tudo ajudava as cores ficarem cada vez mais vivas...até que avistou o exército da salvação...muitos e muitos eucalíptos, todos grudadinhos...uma a um...era como se estivessem de mãos dadas equilibrando o oxigênio que entrava em seus pulmões...e mais uma vez se viu sentada entre eles, completando aquela aquarela...o desenho ia tomando forma...já tinha olhos, nariz e boca...só estava faltando a forma daquele rosto...
Despertou...e naquele instante viu que já tinha passado a entrada do seu destino, teve que achar um retorno para voltar e foi nesse momento que viu um arco-íres que passava de um lado da estrada para o outro...se colocou subindo este arco-íres com o carro e lá no topo, deu forma ao rosto de sua aquarela...
Voltando...
Pegou a entrada certa na estrada e continuou a sua jornada feliz da vida...nem se dava conta do que estava acontecendo ali...as cores não lhe davam mais tréguas...estavam por todas as partes...invadiram tudo...
A chuva partiu, o céu se abriu e o sol estava novamente ali, mas já estava fraquinho com o cair da tarde...um entardecer bem modesto e brilhante...
Então percebeu que a viagem que deveria ter uma duração de duas horas e meia, já estava em cinco horas...se atentou ao significado do tempo naquele momento...e chegou ao seu destino.
Mais a noitinha, sentada na sala da casa grande, comendo um pedaço de batata doce, debruçada sobre a mesa, olhou pela janela e viu a lua que banhava com seu brilho prateado a represa que ficava bem em frente da casa...pensou que estava só naquele momento de intimidade total com a noite e se virando para a parede, lá estava ela...a tela aquarelada...com aquele rosto finalizado...de um homem iluminado pela luz do luar que entrava pela janela...rosto comprido com olhos grandes e negros que olhavam para ela com a mesma alegria dela...ele podia compartilhar daquele momento especial dela...e ela...
Ela sorriu para aqueles olhos...os mesmos olhos que carrega consigo todos os dias...
*-*

sábado, 15 de março de 2008

O Menino e a Estrela...

Escrevi este texto em novembro de 2007.
Como eu estava aqui relendo alguns posts, achei que hoje este texto faz sentido com o meu contexto atual aqui no blog...e resolvi postá-lo novamente...com um diferencial...hoje eu sei quem é o menino! *-*


...Era um dia de sol, céu azul...
O mar estava agitado...uma onda gigante cuspiu para a areia, uma estrela do mar, que acabou presa na areia da praia...
Quando a estrela percebeu, não tinha mais como voltar para o imenso mar...e ali ficou...passaram-se vários dias e ela não tinha como alcançar o mar...
A estrela estava por um fio, o que a mantinha viva eram as chuvas que caiam de vez em quando...ela aproveitava cada gota e se enchia de esperanças...
O dia amanheceu...era um dia diferente...alguém caminhava pela areia...era um jovem cheio de esperanças e o mundo para conquistar, como aquela estrelinha que estava por um fio...ele caminhava feliz da vida, todos os seus sonhos estavam depositados ali naquele céu azul que refletia no mar e abraçava a areia branca...ele caminhava pensativo, olhando para o céu...distraído...quase pisou na estrela...parou...e reparou que havia algo ali....a areia cobria a estrela quase por inteiro...ele abaixou e retirou a pobrezinha que estava preza por muitos dias...limpou a areia que estava sobre ela e continuou andando...ele reparou que a estrela estava muito seca...olhou novamente com mais atenção e por um momento...ele ficou agoniado de tê-la em suas mãos e resolveu jogá-la ao mar...a estrela teve medo...achou que era o seu fim...girou, girou e girou até cair no mar...adormeceu...
Quando acordou, estava cheia de vida, radiante naquele imenso mar...estava tão viva como a tempos não sentia....girou e nadou muito rápido para dentro do oceano, tinha muito para conquistar....pensou no rapaz que salvou sua vida...e desejou que ele fosse salvo também...

E Dalva de Oliveira cantou "Estrela do mar", vale ouvir é muito lindinha a melodia...doce como esta história...uma história de amor pela vida e por quem nela está...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Clima de interior

A brisa acariciava o rosto dela, com um olhar leve e tranquilo, olhava aquela luz de sol alaranjado de final de tarde, lá na varanda que se encontrava...ao redor, a natureza se encarregava de ilustrar a paisagem para ela.

Um cachoro, pequenino, preto, passava na frente dela, com um andar rápido e curtinho...logo acima, um pouco mais adiante, cabos de fios de alta tensão, serviam de apoio para os passarinhos que ali estavam, um a um sobre os fios, formando assim notas musicais de uma partitura... de pano de fundo desta partitura, uma represa que se movia bem rápido para a direita, dando a impressão de tocar aquela partitura de pássaros...

Mais adiante ainda, nas sombras gigantes das árvores, estavam várias vaquinhas caminhando pelo pasto, algumas sendo abraçadas por aquelas sombras, outras refesteladas ao sol alaranjado...

E a brisa continuava sobre ela...a brisa...que trazia um leve sorriso em seus lábios...estava em paz com a vida...as lembraças vinham em sua mente...lembranças que ampliava o sorriso...e com o olhar mais distânte, pensava em alguém...tudo isso ao som dos pássaros e da modinha de viola de Almir Sater...e o sorriso se alargava ainda mais...

Rastro Da Lua Cheia
Renato Teixeira e Almir Sater
No quintal lá de casa
Passava um pequeno rio
Que descia lá da serra
Ligeiro escorregadio
A agua era cristalina
Que dava pra ver o chão
Ia cortando a floresta
Na direção do sertão
Lembrança ainda me resta
Guardada no coração...

E tudo era azul celeste
Brasileiro cor de anil
Nem bem começava o ano
Já era final de Abril
O vento pastoreando
Aquelas nuvens no céu...
Fazia o mundo girar
Veloz como um carrossel
E levantava a poeira
E me arrancava o chapéu

Ah o tempo faz, tempo desfaz
E vai além sempre...

A vida vem lá de longe
É como se fosse um rio
Pra rio pequeno canoa
Pros grandes rios navios
E bem lá no fim de tudo
Começo de outro lugar
Será como Deus quiser
Como o destino mandar
No rastro da lua cheia
Se chega em qualquer lugar!

sábado, 22 de dezembro de 2007

O autor vira personagem...

Pessoa comprometida com seu trabalho, de aparência atraente...ele tem personalidade, é simpático e tem um olhar que faz parte dele, só dele...olhar sério...misterioso...afetuoso...as vezes distânte...um sorriso de menino...encantador!

Quando fala, todos prestam atenção, sabe articular... alguns momentos é homem feito...em outros um menino...lindo.

Trabalha muito durante o dia, tem postura, convicção, acredita no que faz...provavelmente ele vai longe na sua vida profissional...

Na sua vida pessoal é sonhador, daqueles que buscam algo sempre...tem muitos amigos que gostam realmente dele...ele transmite essa vontade da gente querer estar sempre perto dele, só podia ter tantos amigos assim...é casado e feliz no casamento...

Gosta de músicas, adora ir ao cinema, em shows, mas o seu talento nato é escrever...vem da alma...seus textos são sinceros, autênticos, tem personalidade de alguém que ama o que faz..tem beleza...nasceu para trazer brilho para as pessoas...em cada palavra...em cada crônica...em cada história...sabe o que quer!

..Mas, nem tudo é tão perfeito assim...ele esbarrou com outro alguém que mudou a direção de algumas coisas...alguém que ele não conhece apenas vê no dia-a-dia...mas algo acontece durante o dia...o desejo no olhar e de olhar...ele passa e é visto...ele volta e a vê...alguém que como ele tem muita vida além do que faz...os dois brilham quando estão no mesmo ambiente...apesar de nunca se falarem...eles tem interesses parecidos e acabam falando a mesma linguagem...a do silêncio, que fala mais que mil palavras juntas...se sentem atraídos pela admiração...pelo olhar (ele olha pra ela...ela de costas sente e sabe que ele olha)...pela sensualidade...pelo desejo...pela vontade...pelo desconhecido...pela distância e por estarem perto demais de seus sentidos...um provoca no outro a satisfação e o bem estar...e acabam se tornando personagens de uma história que eles mesmos criaram...
Ficção? Drama? Paixão? Comédia? Menos terror, porque eles sabem respeitar o espaço do outro...

[Daria um filme está história...real ou não...faz parte do universo dos personagens de alguém que escreve... Depois desta história, que acaba não tendo um final, me lembrei do filme: "Mais estranho que a ficção". Muito bom, mistura de comédia e drama bem elaborados. Um filme para rir, chorar e pensar na vida. Os efeitos gráficos são muito bons se misturando com o filme. Vale a pena ver para conferir].

Mais estranho que a ficção

O fiscal do Imposto de Renda Harold Crick (Will Ferrell, da refilmagem de A Feiticeira) é um sujeito extremamente metódico, sistemático e solitário. Por outro lado, a escritora inglesa Key Eiffell (Emma Thompson, ótima como sempre) está sofrendo com um terrível bloqueio criativo que impede já há vários anos seu reencontro com o sucesso literário. Ambos vão se encontrar numa situação, no mínimo, inusitada. E pronto. Melhor não saber mais nada para curtir as surpresas do filme.

A partir deste encontro inusitado e inesperado, Mais Estranho que a Ficção se utiliza de fantasias, simbolismos e parábolas para compor o patético retrato do homem comum, pressionado por limites que muitas vezes só existem dentro de sua própria inércia em viver a vida plenamente. Ou seja, os fatores que cotidianamente nos oprimem e nos limitam são realmente tão fortes assim a ponto de arruinar nossos sonhos? Ou tudo não estaria dentro da nossa própria cabeça? São várias as leituras que o filme proporciona. Além disso, também diverte, explorando com bom humor situações que se equilibram na fina linha que divide o trágico e o cômico. Quando o personagem diz não saber se sua vida é uma tragédia ou uma comédia, certamente ele também está se referindo ao próprio filme.
Junte-se a tudo isso a sóbria e criativa direção do alemão Marc Forster (o mesmo do excelente Em Busca da Terra do Nunca) e temos, logo de cara, em janeiro, um forte candidato a figurar entre os melhores filmes de 2007. Celso Sabadin

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O QUARTO DE PENSÃO


Este texto foi feito por mim em 1982, ganhei um "A" com ele e mesmo tanto tempo depois, ainda gosto dele.

Com um olhar apenas, percebiá-se que era um quarto em perfeita desordem.
Por cima da cama, havia roupas jogadas como se fossem trapos imprestáveis...uma toalha de banho vermelha ficava pendurada entre uma das portas de um guarda-roupa velho e solitário...os vidros da janela mostravam o futuro para aquele par de sapatos, que ficavam escondidos atrás de uma revista, que falava sobre coisa sem importância...havia um sorriso no espelho que escutava um pequeno radinho de pilha que, em geral, falava desligado...entre o guarda-roupa e a parede, viá-se um copo caído tentando levantár-se, para ser novamente preenchido com as gotas de uma velha garrafa revoltada...